Educação, transformação social e desenvolvimento económico são questões que têm de ser abordadas de forma integrada, com uma visão para o País, geradora de riqueza e prosperidade partilhada.

Um sistema educativo sólido funciona como infraestrutura económica essencial. Desenvolve o capital humano, a capacidade de inovação e a adaptabilidade necessárias para a competitividade de longo prazo da nossa economia. Ao mesmo tempo, a educação continua a ser o principal mecanismo de mobilidade social nas nossas sociedades democráticas, garantindo que nesta nova economia, baseada no conhecimento, na criatividade e na inovação, o talento (e não a origem social) determina as oportunidades.

Quando concebida com a equidade no seu centro, a educação torna-se uma forma de redistribuição: expandindo as capacidades individuais, em função do potencial de cada um, reforçando a participação cívica de todos e reduzindo a desigualdade estrutural. Desta forma, a competitividade económica e a justiça social não são objetivos opostos, mas metas que se reforçam mutuamente. A democracia legitima as políticas educativas; a educação sustenta a competitividade económica; e a competitividade económica, por sua vez, estabiliza e financia a democracia.

Com estes pressupostos, o Município de Oeiras e a CNN Portugal unem novamente esforços para organizar o 2º Oeiras Education Forum. Destaco desta edição duas ideias fundamentais.

A primeira é a de que é necessária uma transformação sistémica da experiência escolar proporcionada às crianças e aos jovens. É, aliás, uma necessidade crítica para atender à diversidade que está hoje nas nossas escolas, concretizar a justiça social e ir ao encontro das exigências da nova economia do conhecimento e da criatividade, numa era de crises e transições.

A segunda é que esta transformação sistémica não se fará por decreto nem através das habituais reformas centralizadas, embora o papel reformista do Governo seja essencial para criar condições de liberdade e autonomia que permitam às escolas e às comunidades locais avançar nas suas dinâmicas e reinvenção da escola(rização).

Será através da libertação da força da sociedade civil, da definitiva autonomia das escolas e da valorização política dos processos locais de mudança que se poderá gerar uma onda sistémica de metamorfose da experiência escolar. Haverá menos escola e mais escolas. E, com isso, uma nova era de territorialização das políticas educativas, para uma nova economia, numa sociedade mais próspera e justa.