A página no Instagram de José Alberto Carvalho permite espreitar algumas das belas imagens do espaço tiradas pelo jornalista. A lua vista de perto, o rasto luminoso das estrelas ou a neblina que cobriu Lisboa numa noite de super lua são algumas das fotografias e vídeos que o pivô captou nos seus tempos livres.

A chegada à astrofotografia “foi um exercício de interrogação”, recorda José Alberto de Carvalho, “como é possível haver objetos tão grandes aqui e eu não os ver?”. Com recurso às fotografias satisfez a curiosidade de assistir ao espetáculo que se esconde na imensidão mais próxima da terra, através de “longas exposições em que se acumulam dezenas ou centenas de fotografias”, explica.

Como muitas vezes acontece, a estreia correu-lhe “pessimamente”, faltava-lhe “o tempo e a paciência que a atividade exige”.  Depois de um “workshop e muitas leituras” (sobre a topologia do céu, física, ótica, cálculos matemáticos) recomeçou a fotografar o espaço.

“Sou muito iniciante”, avisa, “só tenho duas ou três fotografias das quais me orgulho minimamente, mas procuro todas as oportunidades para fotografar objetos do espaço profundo”. 

Um desses raros orgulhos é a primeira fotografia deste artigo que nos revela o esplendor da Nebulosa de Orion, uma gigantesca área de pó e gás a cerca de 1 500 anos-luz da Terra onde se incubam milhares de estrelas. Uma imagem que resulta de fotografias tiradas durante três noites, num total de 4h30, e que ainda passou por 9 horas de integração (ou empilhamento) das “dezenas de fotografias captadas para chegar à imagem final”. Depois deste processo moroso, é ainda preciso usar um software que reduz o “ruído” visual captado ou aberrações dos equipamentos. “É um processo científico”, explica, “a única intervenção artística é o enquadramento”.

Apesar de em locais muito iluminados o céu noturno não revelar a olho nu mais do que a lua, foi em Lisboa que José Alberto Carvalho tirou a fotografia de Orion. “Pode fotografar-se em todo o lado, mas é um desafio suplementar fazê-lo em locais com muita luz artificial, com muita poluição luminosa”.

À questão “já pensou em expor trabalho fora da internet?” responde “Não, longe disso, seria completamente ofensivo”, responde o jornalista, “há algumas pessoas em Portugal que o fazem de forma apaixonante, como o Miguel Claro, o mais conhecido astrofotógrafo português”. Ficou antes a promessa de novas fotografias no Instagram.