Porque é que uma empresa publica uma vaga, recebe centenas de candidaturas e, 3 semanas depois, continua sem ninguém para contratar? A resposta não está nas pessoas que se candidataram. Está nos portais de emprego que usamos para as encontrar. Esses portais foram construídos para uma realidade que já não é a nossa: um país com desemprego alto, onde havia muito mais pessoas à procura de trabalho do que trabalho à procura de pessoas. Nessa altura, um repositório de currículos resolvia o problema.
Esse país deixou de existir. O desemprego está em mínimos, os salários subiram 5,3% e, ainda assim, há mais vagas por preencher do que no ano passado. O problema da empresa deixou de ser escolher. Passou a ser encontrar.
Os portais de emprego, esses, continuam exatamente iguais. Continuam a ser repositórios de currículos onde se publica uma vaga e se esperam 2 semanas até haver candidaturas, em que quase nenhuma se enquadra. Depois é preciso filtrá-las, e aqui as empresas não são todas iguais. Uma empresa grande tem uma equipa de recursos humanos para ler 100 candidaturas. Um restaurante ou uma pequena loja têm o dono a fazê-lo à noite, depois de fechar a porta. O mesmo portal serve as duas, mas só uma delas tem estrutura para o usar.
Do outro lado, o desgaste é parecido e mais silencioso. Quem procura trabalho volta todos os dias às mesmas plataformas, candidata-se às vagas novas antes que fiquem para trás no meio de dezenas de outras, e volta a escrever aquilo que já tinha escrito ontem. Quase nunca saberá se alguém chegou a abrir o que enviou. É difícil imaginar um processo mais eficaz a fazer uma pessoa desistir.
Foi para resolver isto que o BizPliz! nasceu. É o novo portal de emprego que faz ao contrário de todos os outros: em vez de publicar uma vaga e esperar, a empresa descreve o que precisa e vê em segundos perfis de pessoas disponíveis e recomendadas. Por trás está um sistema de match. É aí que está a mudança: o trabalho de procurar deixa de estar do lado de quem contrata e passa a estar do lado do sistema. Sem esperar 2 semanas para começar a avaliar pessoas. Quem procura trabalho passa a ser encontrado a partir de um perfil que preencheu uma vez, em vez de repetir o mesmo esforço todos os dias.
Isto não é uma teoria de gabinete. Há mercados em que não basta uma das partes querer: as duas têm de se escolher uma à outra. O emprego é um deles, e foi por explicarem isso que dois economistas, Alvin Roth e Lloyd Shapley, receberam o Nobel da Economia em 2012. Nos Estados Unidos, os médicos acabados de formar procuravam hospitais através de um sistema que funcionava mal e deixava os dois lados insatisfeitos. A solução não foi formar mais médicos. Foi mudar a forma como médicos e hospitais se encontravam, e hoje esse sistema coloca cerca de 25 mil médicos por ano. O BizPliz! faz o mesmo em Portugal: não inventa trabalhadores, muda a forma de os encontrar!
É bom lembrar de quem estamos a falar, porque raramente aparecem nesta conversa. Não são engenheiros de software. É quem abre a padaria às cinco da manhã, quem faz vinte quartos antes do almoço, quem descarrega, quem limpa, quem repõe. São as pessoas mais difíceis de encontrar e as que mais valor entregam no dia a dia de uma empresa, e são também as pior servidas por um mercado organizado à volta do currículo, porque nada do que as torna boas cabe numa folha A4. Foi para elas, e para quem precisa delas, que o portal de emprego BizPliz! foi criado.