“Nas Costas dos Outros” tem vindo a desafiar os espectadores a refletir sobre os dilemas morais que podem surgir no dia-a-dia. Emitida no Jornal Nacional e apresentada por Pedro Benevides, a rúbrica coloca-nos perante situações reais que nos obrigam a pensar: quando algo acontece mesmo à nossa frente, será que reagimos ou seguimos em frente?
Para perceber melhor o impacto desta rúbrica e aquilo que ainda podemos esperar dos próximos episódios, colocámos algumas questões ao apresentador Pedro Benevides.
Mc News- Na sua perspetiva, qual é a principal mensagem que esta rúbrica pretende deixar a quem a acompanha todas as semanas?
Pedro Benevides- Esta rúbrica acaba por ser uma espécie de exame de consciência coletivo. Ao olharmos para outras pessoas como nós, perante uma situação com que qualquer um de nós se poderia confrontar, é inevitável que pensemos “de que lado estaria eu?”. E às vezes não há um lado evidente, ou uma reação óbvia. Tentamos fazer com que a sociedade se olhe ao espelho, mesmo quando aquilo que vê refletido não é aquilo que gostaria de ver. E tentamos fazer isto sem julgar ninguém, porque não é esse o nosso papel.
Mc News- Até ao momento, que balanço faz desta experiência?
Pedro Benevides- Um balanço muito positivo e surpreendente. A sensação que tenho é a de que, na generalidade dos casos, a sociedade não está anestesiada. As pessoas reagem, protestam, indignam-se, protegem, tomam conta. Empenham-se e tentam fazer o que está certo, mesmo se apanhadas de surpresa. E mesmo em assuntos mais polémicos ou divisivos, seja qual for o lado que defendem, tomam posição, envolvem-se. Tenho visto menos encolher de ombros do que aquilo que pensava.
Mc News- Ao longo dos vários episódios já exibidos, houve algum dilema ou situação que o tenha marcado particularmente?
Pedro Benevides- Sim, lembro-me de 2: a do miúdo com o pai numa esplanada, em que o pai já tinha bebido demais. Embora continuasse a tratar bem do “filho”, era um evidente caso de negligência. E as pessoas sofreram mesmo com esse episódio porque não sabiam bem o que fazer. Houve gente a chorar no fim (eu incluído). Também me marcou muito o episódio em que testámos se as crianças iam facilmente com um estranho. E todas as crianças testadas foram, em poucos minutos. Deu muito que pensar.
Mc News- Quais são os maiores desafios na preparação e produção de uma rúbrica deste tipo?
Pedro Benevides- Felizmente temos uma equipa de luxo a trabalhar nesta rubrica. Mas do ponto de vista logístico, é muito trabalhoso montar cada situação. A escolha dos temas é o primeiro desafio, porque queremos criar situações realistas e que reflitam aquilo que é hoje a sociedade portuguesa. Depois tem de ser escolhido o local (que tem de autorizar as gravações), o casting dos atores, a montagem do equipamento que tem de ser feita de madrugada. E depois as longas horas de gravação, que poderiam ser penosas ou frustrantes (nem sempre conseguimos reações), não fosse o talento, a entrega e a boa-disposição numa equipa grande que gosta de trabalhar em conjunto.
Mc News- Que feedback têm recebido dos espectadores?
Pedro Benevides- Até agora, muito bom. Muita gente me escreve mensagens no instagram a reagir aos episódios, a partilhar experiências, até a dar sugestões (algumas já aproveitámos). E os excertos que publicamos nas redes também mostram o quão envolvidas nos casos as pessoas se sentem. Temos alguns com milhões de visualizações e largos milhares de comentários.
MC News- Para terminar, depois de vários episódios, sobre temas diversos, acredita que esta rúbrica tem conseguido levar os espectadores a refletir mais sobre a forma como reagem quando estas situações acontecem mesmo à sua frente?
Pedro Benevides- Acredito que sim, é esse o feedback que tenho recebido. Nós fazemos por isso: para além de mostrar os casos, enquadramos as situações com números, dados, sempre que se justifica, disponibilizamos os recursos que estão à disposição das pessoas, temos as forças de segurança a explicar como os cidadãos devem agir perante determinado caso.