O fuso horário ainda me pesa nas pálpebras e a humidade faz o corpo pedir por descanso logo se que se sai à rua, mas a adrenalina não deixa o cérebro abrandar. Chegar aos Estados Unidos para cobrir um Campeonato do Mundo é entrar numa dimensão onde até a palavra grande parece pequena. Aqui, é tudo colossal. As distâncias, as autoestradas, os copos de café que parecem baldes e, claro, os estádios.
Enquanto caminho pelas ruas para descobrir esta Palm Beach, dou por mim a refletir sobre o que significa ser enviado-especial a um torneio desta magnitude. A vida de um jornalista num Mundial é feita de aeroportos, hotéis e fast-food. Mas depois... depois percebemos que há uma outra parte. Há aquele pulsar que só se sente quando está no local. A vibração. A emoção. Os sons e os cheiros. Cobrir um Mundial é encher a mochila de memórias.
É certo que só ainda cheguei há dois dias. A Seleção Nacional ainda não está cá, por exemplo. Os jogos só começam amanhã. Mas mesmo assim, para quem já esteve nos Mundiais da África do Sul e da Rússia, sente-se que falta qualquer coisa nesta parte dos Estados Unidos desenhada para crocodilos, vegetação abundante e gente rica.
Os americanos sabem fazer espetáculo como ninguém, disso ninguém duvida. O problema é que o soccer não é a religião deles e ainda não vi nenhum a abraçar este evento como se ele fosse contagiante. Vê-se, isso sim, o emigrante latino ou o turista europeu, que trazem no olhar aquela paixão cega e irracional que só o futebol a sério consegue explicar.
Para nós, habituados a estádios de bairro e a rivalidades que se medem em ruas, estar aqui é um privilégio absoluto. E é para esses que cá estou. Para os portugueses que adoram futebol e para os que adoram a seleção. Para as crianças que insistem em completar a caderneta de cromos. É em vocês que penso: em vos levar comigo nas viagens de avião, em vos sentar ao meu lado na bancada, em vos mostrar o que as câmaras de televisão não apanham.
O Maisfutebol até criou, como é habitual, um site especial para fazer toda a cobertura deste Mundial. Deste lado do Atlântico, com um calor húmido que torna qualquer passo um desafio, prometo dar o meu melhor, para que nem eu, nem o leitor possamos perder um único segundo do maior espetáculo do mundo. Estejam ou não os americanos cientes disso.