Portugal é um país paradoxal em muitas dimensões, mas uma das mais evidentes é esta: lamenta-se por não ser mais bem sucedido ao mesmo tempo que alimenta algum desdém pelo sucesso. Somos um país exportador de talento, mas insistimos em nivelar-nos por baixo na ambição de maior produtividade, salários mais altos e de crescimento económico. Há quem lhe chame o fado português. Eu prefiro chamar-lhe a irresponsabilidade de quem não pensa no futuro.
O tempo vai passando e os debates nacionais não saem do mesmo sítio. É a reforma do Estado, são as leis do trabalho, é a carga fiscal elevada, o fraco crescimento económico, o país parece condenado a correr nesta roda de hamster, sem nunca sair do mesmo sítio. Há uma aversão ao risco, um receio permanente de dar liberdade às empresas e aos cidadãos para investirem e crescerem.
Quem se atreve a romper estes bloqueios torna-se, normalmente, um alvo. Em vez de ser um exemplo. De como neste país se podia fazer muito mais, crescer e distribuir riqueza de outra forma.
Não admira por isso que Portugal continue a ser um país de micro, pequenas e médias empresas e que o número de grandes empresas seja, ainda, muito diminuto. Falta-nos escala, falta-nos investimento, falta-nos reduzir os custos de contexto e falta-nos, muitas vezes, visão.
As exceções vão, ainda assim, confirmando a regra. Mesmo num contexto adverso, Portugal vai tendo vários exemplos de grandes empresas que conseguem ser competitivas cá dentro e lá fora, com gestão portuguesa, na maioria dos casos. É a esse mérito que a CNN Portugal se associa há vários anos, como parceira dos IRGAwards da Deloitte. Porque também nós, na CNN Portugal, ambicionamos o sucesso. O nosso, mas, sobretudo o do país.