Há mais ou menos oito anos, quando a ideia “Polígrafo” se começava a formar na mente visionária do meu querido amigo e mentor Fernando Esteves, o mundo era diferente: nesse ano longínquo de 2018, o movimento #metoo globalizou-se, os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o acordo nuclear com o Irão e a Beyoncé tornou-se a primeira mulher negra a ser cabeça de cartaz no Coachella. Em Portugal, Rui Rio assumiu a presidência do PSD, Lisboa recebeu o Festival da Eurovisão e Jorge Jesus foi alvo de agressões na Academia do Sporting em Alcochete. Passou-se quase uma década e, desde então, quase tudo mudou.

O Polígrafo cresceu e tornou-se inevitável: no Parlamento português, nos espaços de comentário, nas televisões. São agora incontáveis as variações do termo “fact-check” que vimos surgir nos discursos de algumas das figuras políticas mais influentes dos nossos tempos. A marca Polígrafo, pensada e trabalhada ao pormenor para significar “verdade”, passou a substituir palavras como “verificação”, “texto”, “peça”. 

Não recordo o dia exato em que o pedido a viva-voz por “Polígrafos” deixou de me soar estranho. Mas sei agora que é o fruto incontornável de um Mundo novo, onde não chega informar e esclarecer: é preciso desmentir, contextualizar e educar em factos. A ameaça à Democracia só pode ser combatida por uma sociedade imune à mentira, que possua as ferramentas certas para distinguir os factos das efabulações, que não seja consumida pela enorme magia da Inteligência Artificial e que consiga dizer “não” ao prazer instantâneo do clique. 

Há oito anos que o Polígrafo trabalha com o objetivo claro de erradicar a mentira do espaço público, que é o mesmo que dizer que há oito anos que trabalhamos para que um dia não tenhamos trabalho. Mas descanse: para já, ainda não podemos pousar as canetas. Temos, aliás, desafios cada vez maiores. Foi também por isso que chegámos à TVI. Todas as segundas-feiras, no Jornal Nacional, assumiremos a tarefa de lhe mostrar o porquê de ainda sermos necessários. Se um dia deixar de nos ver, sorria! Está num mundo melhor.