Há onze anos que Campo Maior não acordava coberta de flores. Foram anos em que o mundo mudou, em que perdemos pessoas que deram muito a estas Festas e em que uma nova geração cresceu. Mas houve algo que nunca se perdeu: a vontade de voltarmos a fazer, juntos, aquilo que nenhuma pessoa, instituição ou comissão conseguiria realizar sozinha.
As Festas do Povo têm uma regra simples e profunda. Não acontecem porque alguém as marca. Acontecem quando o povo quer. E, em 2026, o povo quis.
Mais de uma centena de ruas e milhares de voluntários responderam com trabalho e generosidade. Durante meses, depois das obrigações de cada dia, abriram-se portas e reuniram-se vizinhos. Cortou-se, dobrou-se e colou-se papel. Mas, acima de tudo, voltou-se a conversar, a ensinar, a aprender e a fazer comunidade.
É esse trabalho que o visitante talvez não veja, mas é nele que se encontra a verdadeira grandeza das Festas. Cada flor representa tempo oferecido, cada rua traduz uma visão partilhada e cada pormenor revela o orgulho de quem sabe que está a construir algo maior do que si próprio.
A todos os que tornaram este regresso possível, deixo uma palavra de profundo reconhecimento. Às cabeças de rua, aos voluntários, à Comissão de Festas, à Associação, ao Município, às instituições, às empresas e a todos os que contribuíram com o seu tempo, conhecimento e dedicação, muito obrigado.
Estas Festas pertencem também aos que já não estão entre nós, mas continuam presentes na memória e nos valores que nos deixaram. Recordo o meu pai, o Comendador Rui Nabeiro, que acreditou profundamente na força das pessoas, na conciliação e no dever de servir a comunidade.
A quem nos visita, desejo que não veja apenas ruas cobertas de flores. Que sinta a alma de Campo Maior, a generosidade das nossas gentes e a verdade de uma tradição que só existe porque é feita por todos.
Que estas Festas sejam um encontro entre gerações, entre memória e futuro, entre quem cá vive e quem chega de fora.
Viva Campo Maior.
Viva o seu povo.
Viva as Festas do Povo.