A história da TVI está ligada aos Emmys, melhor dizendo aos International Emmy Awards. É a televisão portuguesa com mais vitórias (a TVI já ganhou dois prémios Emmy Internacionais, em 2010 e 2018) e mais nomeações, 9 até agora, quase sempre na área da ficção. Mas este ano, foi a informação que fez História. Pela primeira vez, uma reportagem portuguesa está nomeada aos chamados “Óscares da televisão”.
Pessoalmente, ainda me parece surreal que seja eu a assinar essa reportagem, mas estou extremamente feliz e orgulhosa do trabalho de toda uma equipa. Trata-se de uma reportagem muito pessoal para mim, sobre Doença de Alzheimer (que, como muitos sabem, transformou os últimos 14 anos da vida da minha mãe) e precisamente por isso, assumi um espírito de missão quando a realizei. Queria prestar serviço público, o propósito mais nobre do jornalismo, e tentar que a minha experiência ajudasse a informar sobre esta doença cada vez mais presente na nossa sociedade. Queria ajudar a desfazer mitos, reduzir o isolamento e divulgar ferramentas preciosas para doentes e cuidadores terem melhor qualidade de vida. E, claro, queria dedicar este trabalho à minha mãe.
Em 23 anos de carreira, nunca tive uma reportagem que gerasse tanto e tão bom feedback do público e dos meus pares. Isso por si só já é um prémio extraordinário. Agora, ter uma nomeação aos mais reputados prémios da televisão é uma magnífica cereja no topo do bolo! Com sorte, no próximo dia 23 de novembro podemos trazer uma fatia para casa, mas mesmo que isso não aconteça já nos podemos orgulhar do que conquistámos. Falo no plural, porque a nomeação não é só minha.
É em primeiro lugar da TVI, a televisão que todos nós fazemos, mas em particular de uma equipa extraordinária sem a qual “Lembra-te de Mim” não seria o que é. Da inspirada edição de imagem do João Pedro Ferreira; à imagem de qualidade impecável, captada em diferentes estilos por Nuno Assunção, David Luz e Pedro Batista; até ao grafismo subtil e certeiro da Matilde Candeias. Também não teria conseguido fazer este trabalho, tal como ele é, sem o apoio incondicional da Direção da TVI. Em particular da Raquel Matos Cruz, que me deu quase carta branca como coordenadora do Repórter TVI e todo o tempo do mundo para este projeto. Tal como a Ana Candeias, que me deu todo o apoio possível na chefia da redação, e a Maria João Figueiredo, que ainda hoje continua a gerir com tanta paciência as minhas ausências no núcleo de fim-de-semana, sempre me meto em reportagens maiores. Todas me deram espaço e tempo preciosos para poder fazer a melhor reportagem possível (e bem sei como isso é raro, neste mundo acelerado da televisão em que trabalhamos).
Agradeço-vos a todos e todas, do coração. E, por isso mesmo, estamos todas e todos de parabéns por esta nomeação histórica. Diria mesmo, todos nós na TVI, tendo em conta a felicidade e o orgulho que tenho sentido na última semana, por parte tanto de superiores como de colegas, seja da informação ou do entretenimento.
Na passada quarta-feira, recebi a notícia com um sorriso rasgado do próprio José Eduardo Moniz, a quem tive a oportunidade de agradecer o apoio e confiança. Esta semana, agradeço-vos a todos, pela forma com todos se sentem incluídos nesta nomeação. Temos profissionais de excelência na Informação da TVI. E embora tenhamos de trabalhar todos os dias nas condições mais desafiantes, embora nem sempre consigamos que o nosso trabalho tenha o devido destaque, muitos (tantos) nesta redação merecem um prémio, pelo seu talento, trabalho e resiliência.
Pela parte que me toca, gostaria mesmo muito de trazer em novembro um Emmy para casa. O terceiro para a TVI, o primeiro para o jornalismo português, mas acima de tudo um Emmy para todos nós.